Corinthians sob pressão: Cuiabá lidera movimento para manter transfer ban mesmo após pagamento

O Corinthians vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Além de enfrentar três transfer bans simultâneos, o clube agora precisa lidar com uma pressão inédita de credores, que querem manter a punição nacional mesmo que a dívida seja quitada.

Imagem gerada por inteligência artificial da Neo Química Arena com a logo do Corinthians ao fundo e um cadeado representando o transfer ban.

CNRD sob pressão para manter punição

A Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão vinculado à CBF, está sendo pressionada por credores do Corinthians para manter o clube impedido de registrar jogadores mesmo que quite a parcela do acordo coletivo com atraso.

A pressão é liderada pelo Cuiabá, principal credor do plano centralizado de pagamentos do clube paulista. O movimento ocorre em meio ao novo atraso do Corinthians no pagamento da parcela prevista para julho deste ano, que segue em aberto.

Os credores defendem que a quitação fora do prazo não resulte automaticamente na derrubada da punição. A avaliação é de que o Corinthians já adotou esse comportamento em outras oportunidades e que uma flexibilização esvaziaria os instrumentos criados pela própria Câmara para garantir o cumprimento dos acordos homologados.

Precedente de 2025 pesa contra o Timão

A principal tese dos credores se apoia em um precedente criado pela própria CNRD no fim do ano passado.

Em despacho de 22 de dezembro de 2025, o painel julgador decidiu manter o transfer ban aplicado ao Corinthians mesmo após a regularização das parcelas vencidas do acordo coletivo. O entendimento foi de que o clube acumulava atrasos sucessivos e vinha quitando os débitos apenas após cobranças dos credores.

Na ocasião, a Câmara concluiu que não seria prudente suspender imediatamente a punição sem um indicativo concreto de mudança de postura do clube. O cenário mudou apenas no início de janeiro deste ano, quando o Corinthians antecipou o pagamento da parcela seguinte — o que levou à suspensão do transfer ban.

Agora, os credores alegam que o atraso da parcela vencida em julho de 2026 representa a repetição do mesmo padrão que motivou a manutenção da sanção no ano passado.

Presidente do Cuiabá detona Corinthians

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, externou forte incômodo com a postura do Corinthians. O dirigente criticou abertamente os valores e os termos oferecidos pelo clube paulista para reverter o transfer ban.

De acordo com Dresch, o Corinthians continua realizando contratações e assumindo altos compromissos no mercado sem quitar devidamente suas pendências financeiras anteriores:

“A CNRD fala em pelo menos seis meses sem poder contratar. O transfer ban foi dado no dia 17 de julho. Espero que a CNRD cumpra o que ela mesma escreveu, porque, se não, vai ficar claro que não há punição para quem não honra seus compromissos. Só tem punição para quem honra.”

Proposta do Corinthians é rejeitada

Na tentativa de demonstrar boa-fé, a diretoria corintiana enviou uma proposta formal propondo quitar a parcela em atraso no dia 31 de agosto e antecipar outra prestação para 17 de outubro.

As condições, porém, não agradaram ao Cuiabá. Dresch revelou que está em contato direto com outros clubes credores para pressionar a CNRD a manter a punição de seis meses, mesmo se o Corinthians efetuar o pagamento:

“Eles continuam vivendo como se não estivessem devendo e não pagando.”

Os três transfer bans ativos

O Corinthians enfrenta atualmente três punições que impedem o registro de novos jogadores:

  1. Fifa — Philadelphia Union: Dívida de US1,5milha~o(cercadeR1,5milha~o(cercadeR 8 milhões) pela contratação do volante José Martínez
  2. Fifa — Midtjylland: Não pagamento de 800 mil euros pela compra do volante Charles, realizada em 2024
  3. CBF — CNRD: Atraso no pagamento da parcela do acordo coletivo, no valor de R$ 8 milhões

Recentemente, o clube quitou uma quarta punição, no valor de US$ 225 mil, relacionada a uma multa disciplinar.

A Fifa informou que, de maneira geral, os transfer bans internacionais são retirados após a confirmação do pagamento pelo credor. A entidade acrescentou que, no caso do Corinthians, os bloqueios internacionais serão retirados assim que os respectivos credores receberem os valores devidos.

A discussão sobre o ban nacional, porém, segue em aberto e pode se estender mesmo com a quitação da dívida.

Consequências no mercado

O transfer ban já teve consequências concretas no Corinthians. O clube perdeu a contratação do atacante Wesley, que chegou a aceitar a proposta do Timão, mas acabou sendo anunciado pelo Cruzeiro.

Enquanto o Corinthians segue travado, seus principais concorrentes se movimentam no mercado. O Flamengo, por exemplo, comemora a permanência de Varela, que completou quatro anos de clube e afirmou que o Rubro-Negro “já é a minha casa”. Na Europa, o lateral Yan Couto foi anunciado pelo Como, da Itália, por empréstimo do Borussia Dortmund.

Mundo da Bola segue de olho nos bastidores do Parque São Jorge. A janela de transferências no Brasil vai até 11 de setembro, e o Corinthians corre contra o tempo para resolver suas pendências e voltar a poder reforçar seu elenco.

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